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DISSE JESUS : " Se eu não tivesse VINDO e não tivesse FALADO para eles,eles não seriam CULPADOS de pecados. Mas agora eles não tem nenhuma DESCULPA do seu próprio PECADO. " JOÃO 15:22
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Como Você Escolhe Seu Parceiro?
domingo, 2 de setembro de 2012
. Considerações acerca da origem da guerra entre os sexos
Texto de Flávio Gikovate:
O tema é excitante e fundamental e sobre ele venho publicando desde 1979. Confesso que foi só com o passar dos anos que me dei conta da importância de algumas das considerações que fiz na época. E a título de autocrítica, devo dizer que fui um tanto ingênuo por não ter percebido a relevância das minhas observações. O que diminui um pouco a sensação desagradável que essa constatação me provoca é o fato de que não fui o único a ter dificuldade em lidar com a questão das diferenças entre os sexos e principalmente extrair delas todas as suas conseqüências. O próprio Freud apontou o aspecto mais importante relativo às diferenças entre o masculino e o feminino – qual seja, o da existência de um desejo visual masculino que inexiste na mulher – em uma nota de rodapé de sua obra O mal estar na civilização, escrita em 1930. Jamais voltou ao assunto! Uma importante diferença entre os sexos consiste na ausência de período refratário após o orgasmo nas mulheres, diferentemente do que acontece com os homens, e quem primeiro a registrou foi Masters e Johnson; esses autores também não conseguiram extrair todos os desdobramentos que tão importante diferença impõe. É indiscutível a dificuldade que temos de estudar a nós mesmos!
Tentarei penetrar no círculo vicioso que determina a hostilidade recíproca entre homens e mulheres pelo ponto que considero o inicial: aquele que define as primeiras sensações dos homens diante da diferença entre os sexos que surgem junto com a sexualidade adulta. Registrei, há quase 20 anos, que a chegada dos primeiros impulsos eróticos mais intensos que, nos rapazes, acontece ao redor dos 13 anos – junto com o surgimento dos caracteres sexuais típicos da virilidade –, vem acompanhada de algumas sensações íntimas negativas e totalmente inesperadas. Os meninos crescem com a idéia de que são os privilegiados, uma vez que lhes ensinaram que o mundo é dos homens. O contrário acontece com as meninas, de sorte que muitas delas crescem revoltadas e invejosas da condição privilegiada que os meninos costumam ter em sociedades como a nossa. Com a chegada da puberdade, os rapazes passam a sentir enorme desejo sexual por um sem-número de moças, desejo este que pede a aproximação e o roçar no corpo delas. A grande e inesperada surpresa é que tal desejo não é correspondido. Por essa eles não esperavam! A partir daí, desenvolvem uma sensação de inferioridade, frustrando-se pela ausência de reciprocidade. Desejar sem ser desejado da mesma forma gera uma enorme frustração em praticamente todos os moços. Tal sentimento muito comumente acompanha os homens ao longo de toda a vida.
Em geral, os rapazes atribuem, até hoje, o fato de não serem objeto de desejo visual à sua "precária" aparência física. Portanto, o que é baixo, gordo, narigudo, entre tantos defeitos que os adolescentes vêem em si mesmos, sente-se não-atraente devido a essas desvantagens relacionadas com sua imagem. Entendem a questão como um fato particular, condição na qual ficam muito deprimidos e ressentidos. Para eles, outros rapazes provocam o desejo que na verdade eles mesmos gostariam de causar, podendo desenvolver grande hostilidade invejosa em relação aos mais bonitos e charmosos. Seguramente, a beleza masculina é um elemento capaz de despertar o interesse das mulheres, mas é fato também que existe uma grande diferença entre despertar o interesse e o desejo. Não sabemos como reagirão os moços quando puderem crescer e chegar à adolescência já de posse dos dados relativos à nossa sexualidade que só agora estão começando a nos ficar mais claros.
A diferença, certamente, é de natureza biológica e independe da aparência física dos rapazes. Corresponde, como já apontado por Freud, à transferência para a zona da visão daquilo que, nas outras espécies de mamíferos, é próprio da olfação. O desejo é propriedade masculina, define um papel ativo para o macho no tocante à abordagem sexual. Nos mamíferos, em geral, tal característica não define qualquer diferença hierárquica: é apenas uma diferença. Na nossa espécie, existe a diferença e o que as mentes dos homens e, é claro, das mulheres pensam sobre ela. Não há, para nós, fatos desacompanhados das reflexões e ponderações que fazemos a respeito deles. Em geral, os homens sentem-se prejudicados pela constatação; registram a diferença na natureza do desejo como grande desvantagem, o que determina o surgimento de uma enorme hostilidade de natureza invejosa. Em 1979, apontei e enfatizei que a primeira manifestação invejosa adulta era do homem em relação à mulher e não o contrário, que é voz corrente em psicologia.
A constatação de que o desejo visual é unilateral desperta no homem a consciência de que há uma vantagem feminina nesse ponto de vista, uma vez que ela terá que concordar com a aproximação física dele – ao menos no mundo civilizado, onde não é aceita a violência física para impor a intimidade sexual; entende-se também por esta via a origem do estupro: uma revolta, levada às últimas conseqüências, contra a diferença sexual. A concordância da mulher dar-se-á em decorrência de outros fatores que não o desejo visual, pois ele não existe da mesma forma como nos homens. O fato de um homem já desejar uma mulher e ter que esperar pelo veredicto dela para saber se poderá ou não se aproximar dela lhe determina, como disse, um forte sentimento de inferioridade acompanhado de uma profunda inveja, ou seja, de enorme hostilidade sutil e que tentará se exercer de forma um tanto dissimulada.
O que fizeram os homens? Beneficiaram-se de sua superioridade muscular e, quando tal propriedade era básica para o exercício das atividades fora de casa – o que se costuma chamar de "espaço público" –, trataram de se apropriar dos poderes que derivam de serem os detentores dos frutos do trabalho, o que, mais ou menos rapidamente, passou a corresponder a alguma forma de dinheiro. Como não poderia deixar de ser, levando-se em conta a inveja masculina e a necessidade de melhorar sua posição perante as mulheres, fecharam as portas do mundo do trabalho, de modo que a elas ficava reservado apenas o "espaço privado". Estavam fadadas a reproduzir e a cuidar da casa, dos filhos e do seus esposos, de quem se tornavam totalmente dependentes para os fins de sobrevivência material.
sábado, 4 de agosto de 2012
Reflexões sobre o feminino por Flávio Gikovate
. Introdução
Talvez agora sejamos capazes de pensar de forma mais livre sobre a mulher e a condição feminina. O tema sempre esteve envolto em brutais preconceitos: no passado vigia a tese machista da inferioridade da mulher, já nos últimos anos temos sido governados pela idéia da igualdade entre os sexos. O bom entendimento da questão perde nos dois casos, uma vez que a mulher não é inferior e nem igual ao homem, mas sim diferente, não havendo razão para que seja estudada tomando-se como referência a condição masculina. Não deixa de ser surpreendente o fato de que nos deixamos governar muito mais por idéias, concepções e ideologias do que pelos fatos. As diferenças entre os sexos são óbvias e só mesmo a interferência de poderosos ingredientes emocionais pode levar homens e mulheres a defender idéias que não têm respaldo no mundo real. Quando tais idéias foram elaboradas por homens, ao longo dos séculos, a conclusão foi a inferioridade da mulher. Talvez tenham sido movidos mais do que tudo pela enorme inveja que eles sempre sentiram delas.
Quando, nas últimas décadas, as idéias sobre o tema foram elaboradas por mulheres, concluíram pela igualdade entre os sexos. Elas buscavam condições objetivas iguais às dos homens, o que é inegável direito, mas acabaram por generalizar suas concepções relativas a importantes aspectos da vida social, tentando, por exemplo, entender a sexualidade feminina tomando por base a fisiologia dos homens. Sem perceber, elas os usavam como referência, como paradigma; não podemos deixar de reconhecer aí importante ingrediente invejoso da condição masculina, agora presente também nas mulheres.
Infelizmente, tudo leva a crer que falar sobre as condições masculina e feminina é tratar, muito de perto, da questão da inveja. Homens e mulheres são fascinados uns pelos outros – isso como regra geral, é claro –, mas dificilmente conseguem se entender bem. Percebemos a facilidade com que desenvolvem uma irritação desproporcional aos fatos quando convivem intimamente. Até mesmo a vida sexual dos que vivem juntos está muito aquém do que poderíamos supor a partir da intensidade da atração sexual que o homem tem pela mulher e que faz tão bem a ela. Assim, o esperado convívio amoroso e sexual, rico e pleno de prazeres, é, como regra, parte do imaginário da maioria das pessoas. Todo o objetivo daqueles que pensam sobre esses aspectos essenciais da vida íntima consiste exatamente em buscar os caminhos que permitam o entendimento entre os sexos, o qual, de fato, nunca existiu. A tarefa deve ser muito difícil, se assim não o fosse nossos antecessores já a teriam cumprido há muito tempo.
Meu objetivo principal ao longo desse texto é discutir alguns aspectos da fisiologia sexual feminina e sua repercussão na interação entre os sexos e na maneira de ser das mulheres. Não poderei deixar de fazer algumas observações sobre o masculino, uma vez que, ao menos até agora, o modo de ser de um sexo tem sido definido a partir do outro. Não creio que seja uma boa postura intelectual essa de, por exemplo, atribuirmos emotividade e maior sensibilidade ao feminino, e considerarmos racionalidade e maior agressividade peculiaridades do masculino. Fica muito difícil saber o quanto isso é verdadeiro e o quanto os homens escondem sua emotividade e as mulheres sua racionalidade, sempre com o propósito de "caberem" no modelo social preestabelecido. Temos que distinguir com a maior clareza possível entre aquilo que é um atributo do feminino e o que é parte do seu papel social; isto é, entre o que seja genuinamente produto da natureza feminina e o que é proposição cultural que busca definir e impor uma certa postura para as mulheres de uma determinada época e cultura.
O ideal seria o feminino ser estudado à parte, sem qualquer tipo de comparação com o masculino e vice-versa. Talvez consigamos, aos poucos, atingir esse objetivo, condição na qual poderíamos, finalmente, saber como é constituído cada um dos sexos. Na realidade, porém, os homens se comportam com a finalidade única de impressionar, agradar ou agredir as mulheres, e o mesmo acontece com elas. É possível que uma parte importante do que entendemos por feminino esteja sendo definida em função do masculino e que o contrário também seja verdadeiro. Compõe-se um tipo de círculo vicioso derivado da interação entre os sexos que, por vezes, torna muito difícil o entendimento dos ingredientes aí envolvidos. Farei algumas considerações sobre o que sou capaz de observar e que considero imprescindível no círculo vicioso em que vivemos há milênios e do qual ainda não conseguimos nos libertar. As pesquisas, até agora muito escassas, que deverão ser feitas nessa área da subjetividade humana não são filigranas. Elas tratam de algumas das particularidades essenciais da nossa espécie e que influíram – e muito – em todos os processos que culminaram com a elaboração das regras que norteiam nossa vida social.
Assim sendo, a questão sexual em geral e a das diferenças entre os sexos em particular são de capital importância para o entendimento da psicologia humana – e de alguns aspectos da própria fisiologia sexual – e para o estudo e compreensão dos aspectos socioeconômicos da nossa vida em grupo. Essa abordagem mais abrangente da questão sexual tem assumido uma importância crescente, uma vez que tem se revelado muito mais frutífera do que aquela que apenas levava em consideração os aspectos práticos e técnicos capazes de aprimorar a intimidade entre um homem e uma mulher.
Deixarei registrado, de modo veemente, que o objetivo de todas as observações que pretendo fazer é contribuir para ajudar no entendimento e libertação de complexos ingredientes que consideramos parte da relação entre os sexos; como são procedimentos que se repetem há muitas gerações, fazem parte da nossa cultura de modo tão arraigado que os vemos como naturais; são tratados com a naturalidade de um fenômeno que é parte da nossa biologia, apesar de que é forte minha convicção de não ser essa a verdade. Hoje, indiscutivelmente, eles fazem parte do cotidiano, das normas da vida social com as quais nos deparamos à medida que vamos nos tornando adultos. Cada nova geração se contamina muito rapidamente com o círculo vicioso negativo e percebe, com maior ou menor clareza, que as relações entre os sexos são tensas, de disputa e implicam num tipo de rivalidade no qual humilhar o sexo oposto parece ter se constituído num prazer. Adolescentes de ambos os sexos, mas principalmente os rapazes, dão claros sinais de sentirem os golpes iniciais dessa guerra entre os sexos, cujos primeiros movimentos parecem mais favoráveis às mulheres – ou, ao menos, a algumas delas.
Talvez agora sejamos capazes de pensar de forma mais livre sobre a mulher e a condição feminina. O tema sempre esteve envolto em brutais preconceitos: no passado vigia a tese machista da inferioridade da mulher, já nos últimos anos temos sido governados pela idéia da igualdade entre os sexos. O bom entendimento da questão perde nos dois casos, uma vez que a mulher não é inferior e nem igual ao homem, mas sim diferente, não havendo razão para que seja estudada tomando-se como referência a condição masculina. Não deixa de ser surpreendente o fato de que nos deixamos governar muito mais por idéias, concepções e ideologias do que pelos fatos. As diferenças entre os sexos são óbvias e só mesmo a interferência de poderosos ingredientes emocionais pode levar homens e mulheres a defender idéias que não têm respaldo no mundo real. Quando tais idéias foram elaboradas por homens, ao longo dos séculos, a conclusão foi a inferioridade da mulher. Talvez tenham sido movidos mais do que tudo pela enorme inveja que eles sempre sentiram delas.
Quando, nas últimas décadas, as idéias sobre o tema foram elaboradas por mulheres, concluíram pela igualdade entre os sexos. Elas buscavam condições objetivas iguais às dos homens, o que é inegável direito, mas acabaram por generalizar suas concepções relativas a importantes aspectos da vida social, tentando, por exemplo, entender a sexualidade feminina tomando por base a fisiologia dos homens. Sem perceber, elas os usavam como referência, como paradigma; não podemos deixar de reconhecer aí importante ingrediente invejoso da condição masculina, agora presente também nas mulheres.
Infelizmente, tudo leva a crer que falar sobre as condições masculina e feminina é tratar, muito de perto, da questão da inveja. Homens e mulheres são fascinados uns pelos outros – isso como regra geral, é claro –, mas dificilmente conseguem se entender bem. Percebemos a facilidade com que desenvolvem uma irritação desproporcional aos fatos quando convivem intimamente. Até mesmo a vida sexual dos que vivem juntos está muito aquém do que poderíamos supor a partir da intensidade da atração sexual que o homem tem pela mulher e que faz tão bem a ela. Assim, o esperado convívio amoroso e sexual, rico e pleno de prazeres, é, como regra, parte do imaginário da maioria das pessoas. Todo o objetivo daqueles que pensam sobre esses aspectos essenciais da vida íntima consiste exatamente em buscar os caminhos que permitam o entendimento entre os sexos, o qual, de fato, nunca existiu. A tarefa deve ser muito difícil, se assim não o fosse nossos antecessores já a teriam cumprido há muito tempo.
Meu objetivo principal ao longo desse texto é discutir alguns aspectos da fisiologia sexual feminina e sua repercussão na interação entre os sexos e na maneira de ser das mulheres. Não poderei deixar de fazer algumas observações sobre o masculino, uma vez que, ao menos até agora, o modo de ser de um sexo tem sido definido a partir do outro. Não creio que seja uma boa postura intelectual essa de, por exemplo, atribuirmos emotividade e maior sensibilidade ao feminino, e considerarmos racionalidade e maior agressividade peculiaridades do masculino. Fica muito difícil saber o quanto isso é verdadeiro e o quanto os homens escondem sua emotividade e as mulheres sua racionalidade, sempre com o propósito de "caberem" no modelo social preestabelecido. Temos que distinguir com a maior clareza possível entre aquilo que é um atributo do feminino e o que é parte do seu papel social; isto é, entre o que seja genuinamente produto da natureza feminina e o que é proposição cultural que busca definir e impor uma certa postura para as mulheres de uma determinada época e cultura.
O ideal seria o feminino ser estudado à parte, sem qualquer tipo de comparação com o masculino e vice-versa. Talvez consigamos, aos poucos, atingir esse objetivo, condição na qual poderíamos, finalmente, saber como é constituído cada um dos sexos. Na realidade, porém, os homens se comportam com a finalidade única de impressionar, agradar ou agredir as mulheres, e o mesmo acontece com elas. É possível que uma parte importante do que entendemos por feminino esteja sendo definida em função do masculino e que o contrário também seja verdadeiro. Compõe-se um tipo de círculo vicioso derivado da interação entre os sexos que, por vezes, torna muito difícil o entendimento dos ingredientes aí envolvidos. Farei algumas considerações sobre o que sou capaz de observar e que considero imprescindível no círculo vicioso em que vivemos há milênios e do qual ainda não conseguimos nos libertar. As pesquisas, até agora muito escassas, que deverão ser feitas nessa área da subjetividade humana não são filigranas. Elas tratam de algumas das particularidades essenciais da nossa espécie e que influíram – e muito – em todos os processos que culminaram com a elaboração das regras que norteiam nossa vida social.
Assim sendo, a questão sexual em geral e a das diferenças entre os sexos em particular são de capital importância para o entendimento da psicologia humana – e de alguns aspectos da própria fisiologia sexual – e para o estudo e compreensão dos aspectos socioeconômicos da nossa vida em grupo. Essa abordagem mais abrangente da questão sexual tem assumido uma importância crescente, uma vez que tem se revelado muito mais frutífera do que aquela que apenas levava em consideração os aspectos práticos e técnicos capazes de aprimorar a intimidade entre um homem e uma mulher.
Deixarei registrado, de modo veemente, que o objetivo de todas as observações que pretendo fazer é contribuir para ajudar no entendimento e libertação de complexos ingredientes que consideramos parte da relação entre os sexos; como são procedimentos que se repetem há muitas gerações, fazem parte da nossa cultura de modo tão arraigado que os vemos como naturais; são tratados com a naturalidade de um fenômeno que é parte da nossa biologia, apesar de que é forte minha convicção de não ser essa a verdade. Hoje, indiscutivelmente, eles fazem parte do cotidiano, das normas da vida social com as quais nos deparamos à medida que vamos nos tornando adultos. Cada nova geração se contamina muito rapidamente com o círculo vicioso negativo e percebe, com maior ou menor clareza, que as relações entre os sexos são tensas, de disputa e implicam num tipo de rivalidade no qual humilhar o sexo oposto parece ter se constituído num prazer. Adolescentes de ambos os sexos, mas principalmente os rapazes, dão claros sinais de sentirem os golpes iniciais dessa guerra entre os sexos, cujos primeiros movimentos parecem mais favoráveis às mulheres – ou, ao menos, a algumas delas.
sábado, 28 de julho de 2012
Extroversão! Não Significa Sensualidade
| Flávio Gikovate - Abril/2001 | |
Nesta tentativa de refletir sobre o que torna uma pessoa (em particular, uma mulher) mais atraente para o sexo oposto, registrei na semana passada minha impressão de que os mais ousados aparecem, aos olhos alheios, como mais atraentes e sensuais. Essa ousadia se manifesta por meio de uma maior facilidade para se aproximar, dar sinais de simpatia e interesse, puxar conversa e demonstrar ternura. No caso das mulheres, a ousadia também se mostra no uso de roupas extravagantes e provocativas. Seu comportamento é o de quem está na vida “para o que der e vier”; é como se não respeitassem regras sociais, como se pudessem ter atitudes de que outras pessoas não seriam capazes.
Ao passar essa impressão de exuberância e abertura, tais criaturas exibem uma coragem que a maioria não tem. E isso é algo que os homens captam como próprio de mulheres muito “quentes”. Assim, a mulher extrovertida, ousada, que se veste com roupas que sugerem uma maior liberdade sexual e maior interesse pelo sexo acaba por provocar mais intensamente o desejo dos homens. Isso acontece mesmo quando ela não é muito bonita. A realidade é que a beleza conta menos que a sensualidade, que corresponde – entre tantas outras coisas que desconhecemos – a essa “promessa” de exuberância sexual e de disposição para a aproximação erótica sem grande compromisso sentimental.
É uma pena, mas é grande o número de moças que não têm consciência de seus dotes sensuais. Como regra, foram adolescentes que não se consideravam bonitas e atraentes – o que, como disse, não tem relação direta com a sensualidade. Acabaram com medo de se colocar de modo sedutor, pois os sentimentos de inferioridade lhes davam a impressão de que seriam objeto dos rapazes. Fecharam-se, com medo das pessoas, sobretudo dos homens; encolhem-se diante da aproximação deles, em vez de se abrir. Algumas tentam o sucesso tornando-se simpáticas, boas amigas, “bons papos”; são vistas pelos rapazes como moças legais, mas não como aquelas que lhes provocam desejo – este nasce da possibilidade de intimidades físicas “fáceis”. Não é raro que essas adolescentes se transformem em mulheres bonitas, que só não se tornam atraentes para os homens por serem incapazes de rever suas primeiras impressões da vida adulta. Ou seja, continuam a agir como “patinhos feios”, já se defendendo de supostas rejeições.
A experiência nos ensina também que essas mulheres que gostam de vestir-se provocativamente, sugerindo a possibilidade de uma intimidade sexual fácil e descompromissada, não cumprem o que prometem! Tudo leva a crer que gostam de provocar o desejo masculino pelo simples prazer de se exibir. As mulheres se excitam ao se perceberem atraentes para os homens; para muitas, isso basta.
Por outro lado, fica claro também que nem todas as mulheres acham essa conduta legítima. Prometer algo que não estão dispostas a cumprir parece pouco idôneo para muitas. Essas agem de maneira recatada e, de certo modo, se tornam menos atraentes num primeiro instante. Para os homens, o recato pode erroneamente significar que sejam criaturas menos interessadas em sexo. Na realidade, são pessoas que não acham justo provocar. São mulheres mais preocupadas com o outro. Como regra, são aquelas mais sexualmente exuberantes quando se dispõem a isso para valer.
É bom que se saiba que as mais extrovertidas e que provocam os homens são, normalmente, mais travadas e inibidas na “hora H”. Talvez tenham justamente desenvolvido a coragem e o prazer de se exibir por serem mais reprimidas e fechadas para o sexo propriamente dito. São, portanto, apenas superficialmente mais ousadas. Nesse caso, como em tantos outros, as aparências enganam. Voltaremos a este assunto na próxima semana.
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sábado, 21 de julho de 2012
Como Erotizar a Vida de Casado
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| Flávio Gikovate - Janeiro/2001 | |
Quando se casam, as pessoas mudam sua relação com o mundo. Antes, interagiam com várias pessoas – pais, familiares e amigos; depois, passam a “viver um para o outro”. A dependência cresce e aumentam as cobranças e as expectativas. Com elas, multiplicam-se as decepções, porque ninguém é capaz de resolver todos os nossos sonhos. Muitas das brigas e tensões conjugais surgem do desapontamento. O erro está na crença de que a salvação deverá vir do outro (e ele é apenas mais um mortal tentando sobreviver).
Pessoas com maior consciência de sua individualidade tendem a construir elos afetivos de melhor qualidade. Por serem mais independentes, esperam menos dos demais. E, em geral, conseguem manter a vida sexual no mesmo nível de freqüência e de satisfação que experimentaram no namoro.
O fato do cônjuge ser outra pessoa e não uma parte de nós faz com que o desejemos mais. Platão já disse, há 25 séculos, que não se pode desejar o que se possui. Talvez por isso o ciúme funcione como estimulante sexual: a ameaça da perda fortalece a idéia de que o parceiro nos pertence.
O erotismo resulta de uma atmosfera impregnada de sensualidade. Devemos deixar claro que o clima erótico não é o romântico. Amor e sexo são coisas diferentes e merecem ser estimuladas separadamente se quisermos obter uma intensidade maior das duas. Para criar a atmosfera romântica, os casais deveriam passear de mãos dadas em belos bosques, andar por ruelas antigas e singelas, jantar à luz de velas e ouvir música clássica. Nesse tipo de programa, surgem a ternura e a vontade de dormir abraçadinhos. Já um ambiente praiano, onde as pessoas se exercitam, tomam sol, banham seus corpos suados no mar e ouvem canções que sugerem danças ritmadas é altamente estimulante para a nossa sexualidade.
O cotidiano da maioria dos casais não é nem romântico nem erótico. Por isso, as pessoas tendem a buscar atividades mais prazerosas fora do casamento. Acredito que nada disso é necessário. A mulher casada não precisa se descuidar, nem o homem tem de engordar. Ele pode, sem prejuízo das finanças, lembrar que a mulher gosta muito de um determinado cantor e chegar em casa com o novo CD dele. Ou preparar o prato predileto dela. Ela pode levar o café na cama para os dois no domingo e por lá ficar!
As situações eróticas devem se alternar com as românticas e, assim, ocupar um espaço respeitável no cotidiano dos casais, roubando tempo das cobranças e brigas. Mas, para isso, é essencial entender que a ternura e o erotismo não se estabelecem apenas porque duas pessoas se amam. O parceiro fixo precisa buscar uma renovação constante, tanto nos detalhes de sua postura e de sua aparência quanto na invenção de cenários e de figurinos interessantes. Podemos construir a vida cotidiana sobre dependências e decepções ou sobre o desejo de agradar e surpreender o amado.
Do ponto de vista sexual, tudo o que é novo provoca impacto imenso. Tudo o que for feito para enriquecer a vida romântica e erótica será sempre bem-vindo. Não creio que seja necessário detalhar mais. Seria subestimar a intuição e o poder criativo dos leitores
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domingo, 15 de julho de 2012
Adultério no Velho Testamento
Este artigo foi tirado do nosso livro “Sex and Scripture: A Biblical Study of Proper Sexual Behavior (Inglês)”.]
A palavra grega usada no Novo Testamento para “adúltero” é moichos (“adultério” é mocheia) e refere-se a alguém que está casado mas tem relações sexuais com alguém que não é o seu cônjuge.
No Antigo Testamento, e no mundo secular grego como no romano, a definição de adultério era diferente. No Antigo Testamento, "adultério" referia-se concretamente a uma mulher casada ou comprometida que tinha relações sexuais com alguém diferente do seu esposo. O conceito grego, romano e hebreu do adultério era substancialmente o mesmo: "A infidelidade do marido não constituía adultério."
James Hastings escreve:
Para sermos mais específicos, na legislação Israelita como também na romana, o termo [adultério] estava circunscrito a sexo ilícito de uma mulher casada ou comprometida com qualquer outro homem que não fosse o seu esposo. Desaprovava-se também outras relações impudicas, mas essas foram descritas com palavras diferentes.
William Smith agrega:
As partes intervenientes neste delito [adultério] eram uma mulher casada e um homem que não era o seu marido. De facto, a poligamia era tolerada, pelo que era quase impossível considerar crime uma ofensa similar cometida por um homem casado com uma mulher que não era sua esposa.
Alguns teólogos dizem que como Deus criou Adão e Eva um para o outro, estava implícito na Lei que o adultério era o mesmo tanto no Novo Testamento como no Antigo Testamento. Embora não haja nenhuma dúvida de que Deus originalmente desenhou o matrimónio para ser uma relação de dois, também não há duvida nenhuma de que a poligamia começou cedo, apenas sete gerações depois de Adão (Gn. 4:19), e foi regulamentada na Lei Mosaica (Êx. 21:10; Lv. 18:18; Dt. 21:15). É bem conhecido que as 12 tribos de Israel existem porque Jacob teve duas esposas e duas concubinas, e teve filhos com todas elas. Muitos "grandes nomes" do Antigo Testamento tiveram múltiplas esposas e concubinas, e fizeram isto sem desobedecer ao mandamento de Deus. Mas este simplesmente não é o caso na era cristã.
Deus não explica por que Ele regulamentou a possibilidade de ter múltiplas esposas no Antigo Testamento. Obviamente não era Seu plano original para o matrimónio, porque Ele estabeleceu que "dois" "se tornarão uma só carne". A necessidade de se relacionar e de “se sentir especial" é fundamental em qualquer relação matrimonial, e isto salienta-se poderosamente no Cântico dos Cânticos, escrito por Salomão. É difícil imaginar que uma mulher possa compartilhar o afecto do "amor da sua vida" (Ct. 3:1-5) com outra mulher. Além disso, a poligamia nunca teve muito bons resultados. Nas escrituras não existem "trios felizmente casados". É bem conhecida a tensão existente entre Raquel e Lia, e em 1 Samuel 1:6, Penina é chamada a "rival" de Ana. O pictograma chinês para "briga" é o símbolo de duas mulheres debaixo do mesmo telhado, e as intrigas e lutas internas nos haréns são lendárias.
Foi sugerido que, ao permitir a poligamia, Deus estava a fazer concessões à cultura, mas esta explicação não é satisfatória. Ele não fez concessões quanto à comida, à adoração, à higiene, aos delitos, à autoridade da liderança ou em outras áreas do comportamento sexual tais como o adultério, o matrimónio entre parentes, a prostituição, a homossexualidade, etc., de tal modo que a ideia de que Ele "cedeu" perante o tema das múltiplas esposas seguramente não está correcto. A melhor explicação que a nosso entender se tem postulado é a de que a poligamia deu à mulher uma maneira de entrar num grupo familiar com o poder e influência necessárias para manter-se e proteger-se a si mesma e às suas crianças.
Na actualidade, o ponto central é o seguinte: o Novo Testamento ordena especificamente que cada homem e cada mulher tenham o seu "próprio" cônjuge e, por tanto, a definição de adultério no Novo Testamento é mais estreita do que a definição no Antigo Testamento já que se incluí toda pessoa casada que tem relações sexuais com alguém diferente do seu cônjuge. O mundo e as suas forças malignas querem atenuar o mal intrínseco que habita no adultério, e assim que chamam-lhe "aventura", "engano" ou "indiscrição", como se não fosse algo de grave. Mas é realmente de grave e Deus sempre ordenou ao seu povo com grande firmeza que não cometesse adultério. Os versículos que o proíbem estão no Antigo Testamento (Êxodo 20:14, etc.), nos evangelhos (Marcos 10:19, etc.) e nas epístolas pastorais (Romano 13:9, etc.).
O adultério é um pecado muito mais sério do que o sexo pré-marital porque há pactos, compromissos, promessas e expectativas envolvidas. Um pacto matrimonial é um assunto muito sério aos olhos de Deus. Não levar em conta os pactos celebrados perante os homens e perante Deus e destruir o desígnio de Deus de "uma só carne" quando "homem e mulher os criou" é um pecado muito grave, pecado que com frequência leva à destruição da família e que no Antigo Testamento foi castigado com a pena de morte (Lv.20: 10,11; Dt. 22:22). Os casados deveriam levar muito seriamente as palavras da Escritura concernentes ao adultério: " O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros. (Hebreus 13:4)."
O adultério era considerado claramente como um pecado, e por isso era o exemplo perfeito e "tangível" do frequentemente menos tangível pecado de idolatria. Por essa razão, no Antigo Testamento, palavras como "adultério", "imoralidade sexual", "prostituta" e "infidelidade", podem ter um significado literal ou um significado espiritual. O adultério ocorria quando uma mulher era infiel a seu marido e violava o pacto matrimonial. Quando Deus desejava comunicar a penosa natureza do pecado de idolatria, descreveu-o como adultério, e a Israel como uma esposa adúltera ou uma prostituta. Também, Israel tinha feito pactos e compromissos com Deus e tinha prometido que obedeceria aos Seus mandamentos (Êxodo 24:7; Deuteronômio 5:27; Josué 24:14-25) e esses pactos foram violados quando Israel adorou a outros deuses.
Existe outra razão pela qual "adultério" era uma boa palavra para descrever a adoração a deuses pagãos: muito da adoração pagã incluía sexo. Isto vê-se no inicio da Bíblia quando Israel estava no Sinai e construiu o bezerro de ouro, um deus egípcio da fertilidade, e então “levantaram-se para se divertirem”, uma referência aos actos sexuais envolvidos na adoração daquele deus pagão (Êxodo 32:6 OL). A conexão entre adultério e fornicação, e a adoração pagã, fornece interessantes duplos significados na Bíblia. Por exemplo, em Jeremias 13:27, Deus disse a Israel que tinha visto "seus adultérios, os seus relinchos, a sua prostituição desavergonhada, sobre as colinas e nos campos", e o contexto torna claro indubitavelmente que está a falar tanto de adultério espiritual como de adultério físico.
Há pessoas (que geralmente estão envolvidas no adultério e tentam justificá-lo) que dizem que o adultério na Bíblia é sempre adultério espiritual, mas essa afirmação torna-se falsa apenas pela leitura de algumas escrituras. Por exemplo, Levítico 20:10 diz: "Se um homem cometer adultério com a mulher de outro homem...", o qual é uma indicação clara de que o adultério era a relação física entre um homem e uma mulher. Existem outros versículos semelhantes. A introdução ao Salmo 51:1 fala do adultério de David e Bate-Seba. Jeremias 29:23 menciona que o povo Judeu cometeu adultério com as mulheres do seu próximo e, claro que, há o bem conhecido registo da mulher que foi surpreendida no mesmo acto de adultério e levada ante Jesus. O adultério é um pecado grave aos olhos de Deus e os cristãos devem ser honestos acerca disto e ter a certeza de que as suas vidas são puras aos olhos de Deus.
(Tradução Daniel De Oliveira)
sábado, 7 de julho de 2012
Qual a Origem da Amizade ?
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