sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Qual é a origem da Amizade

Publicado em 06/04/2009 |
 Autor: Flávio Gikovate

Venho ensaiando escrever sobre a amizade há pelo menos vinte anos, sem coragem de dar seguimento a esse antigo projeto. Percebi que se trata da mais bem-sucedida forma de interação entre as pessoas, de uma fonte de prazeres e alegrias enormes e geradora de tensões e elementos negativos mínimos.

A primeira questão – e, talvez, a mais importante – está relacionada à seguinte dúvida: seria a amizade uma versão adulta e sofisticada do amor, ou um fenômeno inteiramente diferente?

Como regra, achamos interessantes aquelas pessoas que desenvolvem maneiras de ser e de racionar sobre todos os assuntos similares às nossas em muitos aspectos. Não só achamos graça como nos sentimos muito próximos delas. Aqui, a sensação de integração não se origina de um processo físico, como acontece no amor – ou mesmo na integração com a pátria ou com o universo. Ela deriva de uma intimidade intelectual, de afinidades na maneira de pensar e de sentir a vida.

Nas amizades, a ponte que permite que duas criaturas individuais e solitárias se sintam integradas surge graças à facilidade com que elas se comunicam. É extraordinário o prazer que sentimos quando temos a impressão de que aquilo que o outro está entendendo corresponde exatamente ao que estamos dizendo. Temos a impressão de não estarmos sós neste mundo. O prazer que experimentamos ao conversar com nossos amigos – definidos assim de modo rigoroso, sem nada a ver com os diversos conhecidos que temos – é enorme; não raramente maior do que o que sentimos ao conversar com nossos parentes e com o nosso objeto de amor que, como disse, corresponde a uma escolha mais relacionada com outros processos.

Como as amizades referem-se a processos essencialmente adultos, não são contaminadas, a não ser de modo muito superficial, pelas penosas emoções possessivas e ciumentas. Podemos ter mais de um amigo íntimo. Gostar de um não significa deixar de gostar do outro. O respeito pelos direitos individuais e pelo modo de ser do amigo é a tônica. A inveja, quando existe, está sob controle, pois, mais do que tudo, queremos que nossos amigos prosperem; não tememos que isso nos afaste deles, como costuma acontecer nas relações amorosas, em que o progresso do amado é sempre uma enorme ameaça à estabilidade da relação.
A amizade é fenômeno essencialmente intelectual. Pode perfeitamente existir entre pessoas que não tenham interesse sexual um pelo outro. Ela é até mesmo mais comum entre pessoas do mesmo sexo, em que as afinidades mentais, talvez, sejam mais comuns. Agora, por puro preconceito, mesmo nos tempos atuais, em que o erotismo tende a se expressar de modo mais livre, não pensamos em intimidades sexuais entre amigos. Da mesma forma, é fácil imaginar que as relações que se iniciam como amizade podem evoluir para um namoro ou mesmo para um casamento. A idéia de que o amor é coisa muito mais rica do que a amizade é, a meu ver, antiga. Afinidades intelectuais e semelhanças de gostos e interesses terão de ser parte essencial de todos os relacionamentos mais íntimos.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Como Você Escolhe Seu Parceiro?


Flávio Gikovate - Julho/2000
Tenho acompanhado a vida de muitos pacientes e posso afirmar que a causa mais freqüente de separação está relacionada à escolha do parceiro. Existem várias exceções, mas grande parte das pessoas se precipita, tomando uma decisão tão importante depois de poucas semanas de convívio.
Há poucas décadas, uma mulher que chegasse aos 25 anos e ainda não estivesse comprometida começava a se sentir "encalhada".
Muitas se casaram de forma estabanada com o primeiro que lhes pareceu razoável. Umas tantas resistiam e, mesmo temendo a solidão, continuavam a manter um elevado padrão de exigência sobre as qualidades que esperavam dos parceiros.

Hoje vemos apenas uma forma atenuada do que acabei de descrever. Porém, ainda é verdade que as mulheres se assustam um pouco quando demoram a encontrar um namorado fixo, e que suas famílias se afligem com isso.
Todos começam a se preocupar com a idade que ela terá ao engravidar, com o fato de "todas as amigas já estarem casadas", com a hipótese de que algo esteja errado com ela. E esse "algo errado" para a família pode ser, por exemplo, sua mania de exigir demais, de esperar pelo príncipe encantado, que claro, não existe.
Essa idéia contém o germe do desespero do passado. Não posso deixar de ver nela uma espécie de insinuação para que a moça reduza suas expectativas, como se estivesse em liquidação e fosse uma mercadoria que tem de sair por qualquer preço.
Nunca deveríamos nos ligar a alguém motivados apenas pelo medo. Aliás, em vez de esperar menos, o ideal seria aprender a viver bem, mesmo sozinhos.
As pessoas idealizam um modelo de parceiro e, pela minha experiência, posso afirmar que, em geral, esse modelo não é nada absurdo. São poucos os que efetivamente esperam demais do outro.
Mulheres que passam um tempo solteiras podem dar seqüência a seus projetos profissionais e ter uma vida mais rica e variada do que as que se casam precocemente.
Se não há tanta pressa e nem nos sentimos tão sensíveis às pressões do meio, talvez possamos obter uma idéia mais clara de quem somos, do que efetivamente gostamos e do que pretendemos em todos os sentidos da vida.
Pessoas mais competentes para ficar consigo mesmas tendem a eleger melhor e mais tardiamente seus pares. Isso, na prática, só tem trazido benefícios, gerando um crescente número de casamentos bem-sucedidos.
As escolhas mais tardias costumam se dar por afinidade, enquanto as precoces nos levam, por força da usual falta de auto-estima juvenil, ao encantamento pelas pessoas opostas a nós.
As afinidades são o pré-requisito para as boas relações.
Existe uma fase intermediária, na qual homens e mulheres já não se interessam por seus opostos e ainda não estão prontos para seus afins. Nesse período, não acham graça em ninguém e são, de fato, muito exigentes.
Trata-se de uma transição evolutiva. É só esperar que os bons parceiros aparecerão.

domingo, 2 de setembro de 2012

. Considerações acerca da origem da guerra entre os sexos


Texto de Flávio Gikovate:
O tema é excitante e fundamental e sobre ele venho publicando desde 1979. Confesso que foi só com o passar dos anos que me dei conta da importância de algumas das considerações que fiz na época. E a título de autocrítica, devo dizer que fui um tanto ingênuo por não ter percebido a relevância das minhas observações. O que diminui um pouco a sensação desagradável que essa constatação me provoca é o fato de que não fui o único a ter dificuldade em lidar com a questão das diferenças entre os sexos e principalmente extrair delas todas as suas conseqüências. O próprio Freud apontou o aspecto mais importante relativo às diferenças entre o masculino e o feminino – qual seja, o da existência de um desejo visual masculino que inexiste na mulher – em uma nota de rodapé de sua obra O mal estar na civilização, escrita em 1930. Jamais voltou ao assunto! Uma importante diferença entre os sexos consiste na ausência de período refratário após o orgasmo nas mulheres, diferentemente do que acontece com os homens, e quem primeiro a registrou foi Masters e Johnson; esses autores também não conseguiram extrair todos os desdobramentos que tão importante diferença impõe. É indiscutível a dificuldade que temos de estudar a nós mesmos!
Tentarei penetrar no círculo vicioso que determina a hostilidade recíproca entre homens e mulheres pelo ponto que considero o inicial: aquele que define as primeiras sensações dos homens diante da diferença entre os sexos que surgem junto com a sexualidade adulta. Registrei, há quase 20 anos, que a chegada dos primeiros impulsos eróticos mais intensos que, nos rapazes, acontece ao redor dos 13 anos – junto com o surgimento dos caracteres sexuais típicos da virilidade –, vem acompanhada de algumas sensações íntimas negativas e totalmente inesperadas. Os meninos crescem com a idéia de que são os privilegiados, uma vez que lhes ensinaram que o mundo é dos homens. O contrário acontece com as meninas, de sorte que muitas delas crescem revoltadas e invejosas da condição privilegiada que os meninos costumam ter em sociedades como a nossa. Com a chegada da puberdade, os rapazes passam a sentir enorme desejo sexual por um sem-número de moças, desejo este que pede a aproximação e o roçar no corpo delas. A grande e inesperada surpresa é que tal desejo não é correspondido. Por essa eles não esperavam! A partir daí, desenvolvem uma sensação de inferioridade, frustrando-se pela ausência de reciprocidade. Desejar sem ser desejado da mesma forma gera uma enorme frustração em praticamente todos os moços. Tal sentimento muito comumente acompanha os homens ao longo de toda a vida.

Em geral, os rapazes atribuem, até hoje, o fato de não serem objeto de desejo visual à sua "precária" aparência física. Portanto, o que é baixo, gordo, narigudo, entre tantos defeitos que os adolescentes vêem em si mesmos, sente-se não-atraente devido a essas desvantagens relacionadas com sua imagem. Entendem a questão como um fato particular, condição na qual ficam muito deprimidos e ressentidos. Para eles, outros rapazes provocam o desejo que na verdade eles mesmos gostariam de causar, podendo desenvolver grande hostilidade invejosa em relação aos mais bonitos e charmosos. Seguramente, a beleza masculina é um elemento capaz de despertar o interesse das mulheres, mas é fato também que existe uma grande diferença entre despertar o interesse e o desejo. Não sabemos como reagirão os moços quando puderem crescer e chegar à adolescência já de posse dos dados relativos à nossa sexualidade que só agora estão começando a nos ficar mais claros.
A diferença, certamente, é de natureza biológica e independe da aparência física dos rapazes. Corresponde, como já apontado por Freud, à transferência para a zona da visão daquilo que, nas outras espécies de mamíferos, é próprio da olfação. O desejo é propriedade masculina, define um papel ativo para o macho no tocante à abordagem sexual. Nos mamíferos, em geral, tal característica não define qualquer diferença hierárquica: é apenas uma diferença. Na nossa espécie, existe a diferença e o que as mentes dos homens e, é claro, das mulheres pensam sobre ela. Não há, para nós, fatos desacompanhados das reflexões e ponderações que fazemos a respeito deles. Em geral, os homens sentem-se prejudicados pela constatação; registram a diferença na natureza do desejo como grande desvantagem, o que determina o surgimento de uma enorme hostilidade de natureza invejosa. Em 1979, apontei e enfatizei que a primeira manifestação invejosa adulta era do homem em relação à mulher e não o contrário, que é voz corrente em psicologia.
A constatação de que o desejo visual é unilateral desperta no homem a consciência de que há uma vantagem feminina nesse ponto de vista, uma vez que ela terá que concordar com a aproximação física dele – ao menos no mundo civilizado, onde não é aceita a violência física para impor a intimidade sexual; entende-se também por esta via a origem do estupro: uma revolta, levada às últimas conseqüências, contra a diferença sexual. A concordância da mulher dar-se-á em decorrência de outros fatores que não o desejo visual, pois ele não existe da mesma forma como nos homens. O fato de um homem já desejar uma mulher e ter que esperar pelo veredicto dela para saber se poderá ou não se aproximar dela lhe determina, como disse, um forte sentimento de inferioridade acompanhado de uma profunda inveja, ou seja, de enorme hostilidade sutil e que tentará se exercer de forma um tanto dissimulada.
O que fizeram os homens? Beneficiaram-se de sua superioridade muscular e, quando tal propriedade era básica para o exercício das atividades fora de casa – o que se costuma chamar de "espaço público" –, trataram de se apropriar dos poderes que derivam de serem os detentores dos frutos do trabalho, o que, mais ou menos rapidamente, passou a corresponder a alguma forma de dinheiro. Como não poderia deixar de ser, levando-se em conta a inveja masculina e a necessidade de melhorar sua posição perante as mulheres, fecharam as portas do mundo do trabalho, de modo que a elas ficava reservado apenas o "espaço privado". Estavam fadadas a reproduzir e a cuidar da casa, dos filhos e do seus esposos, de quem se tornavam totalmente dependentes para os fins de sobrevivência material.

sábado, 4 de agosto de 2012

Reflexões sobre o feminino por Flávio Gikovate

. Introdução


 


Talvez agora sejamos capazes de pensar de forma mais livre sobre a mulher e a condição feminina. O tema sempre esteve envolto em brutais preconceitos: no passado vigia a tese machista da inferioridade da mulher, já nos últimos anos temos sido governados pela idéia da igualdade entre os sexos. O bom entendimento da questão perde nos dois casos, uma vez que a mulher não é inferior e nem igual ao homem, mas sim diferente, não havendo razão para que seja estudada tomando-se como referência a condição masculina. Não deixa de ser surpreendente o fato de que nos deixamos governar muito mais por idéias, concepções e ideologias do que pelos fatos. As diferenças entre os sexos são óbvias e só mesmo a interferência de poderosos ingredientes emocionais pode levar homens e mulheres a defender idéias que não têm respaldo no mundo real. Quando tais idéias foram elaboradas por homens, ao longo dos séculos, a conclusão foi a inferioridade da mulher. Talvez tenham sido movidos mais do que tudo pela enorme inveja que eles sempre sentiram delas.
Quando, nas últimas décadas, as idéias sobre o tema foram elaboradas por mulheres, concluíram pela igualdade entre os sexos. Elas buscavam condições objetivas iguais às dos homens, o que é inegável direito, mas acabaram por generalizar suas concepções relativas a importantes aspectos da vida social, tentando, por exemplo, entender a sexualidade feminina tomando por base a fisiologia dos homens. Sem perceber, elas os usavam como referência, como paradigma; não podemos deixar de reconhecer aí importante ingrediente invejoso da condição masculina, agora presente também nas mulheres.
Infelizmente, tudo leva a crer que falar sobre as condições masculina e feminina é tratar, muito de perto, da questão da inveja. Homens e mulheres são fascinados uns pelos outros – isso como regra geral, é claro –, mas dificilmente conseguem se entender bem. Percebemos a facilidade com que desenvolvem uma irritação desproporcional aos fatos quando convivem intimamente. Até mesmo a vida sexual dos que vivem juntos está muito aquém do que poderíamos supor a partir da intensidade da atração sexual que o homem tem pela mulher e que faz tão bem a ela. Assim, o esperado convívio amoroso e sexual, rico e pleno de prazeres, é, como regra, parte do imaginário da maioria das pessoas. Todo o objetivo daqueles que pensam sobre esses aspectos essenciais da vida íntima consiste exatamente em buscar os caminhos que permitam o entendimento entre os sexos, o qual, de fato, nunca existiu. A tarefa deve ser muito difícil, se assim não o fosse nossos antecessores já a teriam cumprido há muito tempo.
Meu objetivo principal ao longo desse texto é discutir alguns aspectos da fisiologia sexual feminina e sua repercussão na interação entre os sexos e na maneira de ser das mulheres. Não poderei deixar de fazer algumas observações sobre o masculino, uma vez que, ao menos até agora, o modo de ser de um sexo tem sido definido a partir do outro. Não creio que seja uma boa postura intelectual essa de, por exemplo, atribuirmos emotividade e maior sensibilidade ao feminino, e considerarmos racionalidade e maior agressividade peculiaridades do masculino. Fica muito difícil saber o quanto isso é verdadeiro e o quanto os homens escondem sua emotividade e as mulheres sua racionalidade, sempre com o propósito de "caberem" no modelo social preestabelecido. Temos que distinguir com a maior clareza possível entre aquilo que é um atributo do feminino e o que é parte do seu papel social; isto é, entre o que seja genuinamente produto da natureza feminina e o que é proposição cultural que busca definir e impor uma certa postura para as mulheres de uma determinada época e cultura.
O ideal seria o feminino ser estudado à parte, sem qualquer tipo de comparação com o masculino e vice-versa. Talvez consigamos, aos poucos, atingir esse objetivo, condição na qual poderíamos, finalmente, saber como é constituído cada um dos sexos. Na realidade, porém, os homens se comportam com a finalidade única de impressionar, agradar ou agredir as mulheres, e o mesmo acontece com elas. É possível que uma parte importante do que entendemos por feminino esteja sendo definida em função do masculino e que o contrário também seja verdadeiro. Compõe-se um tipo de círculo vicioso derivado da interação entre os sexos que, por vezes, torna muito difícil o entendimento dos ingredientes aí envolvidos. Farei algumas considerações sobre o que sou capaz de observar e que considero imprescindível no círculo vicioso em que vivemos há milênios e do qual ainda não conseguimos nos libertar. As pesquisas, até agora muito escassas, que deverão ser feitas nessa área da subjetividade humana não são filigranas. Elas tratam de algumas das particularidades essenciais da nossa espécie e que influíram – e muito – em todos os processos que culminaram com a elaboração das regras que norteiam nossa vida social.
Assim sendo, a questão sexual em geral e a das diferenças entre os sexos em particular são de capital importância para o entendimento da psicologia humana – e de alguns aspectos da própria fisiologia sexual – e para o estudo e compreensão dos aspectos socioeconômicos da nossa vida em grupo. Essa abordagem mais abrangente da questão sexual tem assumido uma importância crescente, uma vez que tem se revelado muito mais frutífera do que aquela que apenas levava em consideração os aspectos práticos e técnicos capazes de aprimorar a intimidade entre um homem e uma mulher.
Deixarei registrado, de modo veemente, que o objetivo de todas as observações que pretendo fazer é contribuir para ajudar no entendimento e libertação de complexos ingredientes que consideramos parte da relação entre os sexos; como são procedimentos que se repetem há muitas gerações, fazem parte da nossa cultura de modo tão arraigado que os vemos como naturais; são tratados com a naturalidade de um fenômeno que é parte da nossa biologia, apesar de que é forte minha convicção de não ser essa a verdade. Hoje, indiscutivelmente, eles fazem parte do cotidiano, das normas da vida social com as quais nos deparamos à medida que vamos nos tornando adultos. Cada nova geração se contamina muito rapidamente com o círculo vicioso negativo e percebe, com maior ou menor clareza, que as relações entre os sexos são tensas, de disputa e implicam num tipo de rivalidade no qual humilhar o sexo oposto parece ter se constituído num prazer. Adolescentes de ambos os sexos, mas principalmente os rapazes, dão claros sinais de sentirem os golpes iniciais dessa guerra entre os sexos, cujos primeiros movimentos parecem mais favoráveis às mulheres – ou, ao menos, a algumas delas.

sábado, 28 de julho de 2012

Extroversão! Não Significa Sensualidade



Flávio Gikovate - Abril/2001
Nesta tentativa de refletir sobre o que torna uma pessoa (em particular, uma mulher) mais atraente para o sexo oposto, registrei na semana passada minha impressão de que os mais ousados aparecem, aos olhos alheios, como mais atraentes e sensuais. Essa ousadia se manifesta por meio de uma maior facilidade para se aproximar, dar sinais de simpatia e interesse, puxar conversa e demonstrar ternura. No caso das mulheres, a ousadia também se mostra no uso de roupas extravagantes e provocativas. Seu comportamento é o de quem está na vida “para o que der e vier”; é como se não respeitassem regras sociais, como se pudessem ter atitudes de que outras pessoas não seriam capazes.
Ao passar essa impressão de exuberância e abertura, tais criaturas exibem uma coragem que a maioria não tem. E isso é algo que os homens captam como próprio de mulheres muito “quentes”. Assim, a mulher extrovertida, ousada, que se veste com roupas que sugerem uma maior liberdade sexual e maior interesse pelo sexo acaba por provocar mais intensamente o desejo dos homens. Isso acontece mesmo quando ela não é muito bonita. A realidade é que a beleza conta menos que a sensualidade, que corresponde – entre tantas outras coisas que desconhecemos – a essa “promessa” de exuberância sexual e de disposição para a aproximação erótica sem grande compromisso sentimental.
É uma pena, mas é grande o número de moças que não têm consciência de seus dotes sensuais. Como regra, foram adolescentes que não se consideravam bonitas e atraentes – o que, como disse, não tem relação direta com a sensualidade. Acabaram com medo de se colocar de modo sedutor, pois os sentimentos de inferioridade lhes davam a impressão de que seriam objeto dos rapazes. Fecharam-se, com medo das pessoas, sobretudo dos homens; encolhem-se diante da aproximação deles, em vez de se abrir. Algumas tentam o sucesso tornando-se simpáticas, boas amigas, “bons papos”; são vistas pelos rapazes como moças legais, mas não como aquelas que lhes provocam desejo – este nasce da possibilidade de intimidades físicas “fáceis”. Não é raro que essas adolescentes se transformem em mulheres bonitas, que só não se tornam atraentes para os homens por serem incapazes de rever suas primeiras impressões da vida adulta. Ou seja, continuam a agir como “patinhos feios”, já se defendendo de supostas rejeições.
A experiência nos ensina também que essas mulheres que gostam de vestir-se provocativamente, sugerindo a possibilidade de uma intimidade sexual fácil e descompromissada, não cumprem o que prometem! Tudo leva a crer que gostam de provocar o desejo masculino pelo simples prazer de se exibir. As mulheres se excitam ao se perceberem atraentes para os homens; para muitas, isso basta.
Por outro lado, fica claro também que nem todas as mulheres acham essa conduta legítima. Prometer algo que não estão dispostas a cumprir parece pouco idôneo para muitas. Essas agem de maneira recatada e, de certo modo, se tornam menos atraentes num primeiro instante. Para os homens, o recato pode erroneamente significar que sejam criaturas menos interessadas em sexo. Na realidade, são pessoas que não acham justo provocar. São mulheres mais preocupadas com o outro. Como regra, são aquelas mais sexualmente exuberantes quando se dispõem a isso para valer.
É bom que se saiba que as mais extrovertidas e que provocam os homens são, normalmente, mais travadas e inibidas na “hora H”. Talvez tenham justamente desenvolvido a coragem e o prazer de se exibir por serem mais reprimidas e fechadas para o sexo propriamente dito. São, portanto, apenas superficialmente mais ousadas. Nesse caso, como em tantos outros, as aparências enganam. Voltaremos a este assunto na próxima semana.

sábado, 21 de julho de 2012

Como Erotizar a Vida de Casado


 
Flávio Gikovate - Janeiro/2001
 
 
Quando se casam, as pessoas mudam sua relação com o mundo. Antes, interagiam com várias pessoas – pais, familiares e amigos; depois, passam a “viver um para o outro”. A dependência cresce e aumentam as cobranças e as expectativas. Com elas, multiplicam-se as decepções, porque ninguém é capaz de resolver todos os nossos sonhos. Muitas das brigas e tensões conjugais surgem do desapontamento. O erro está na crença de que a salvação deverá vir do outro (e ele é apenas mais um mortal tentando sobreviver).
Pessoas com maior consciência de sua individualidade tendem a construir elos afetivos de melhor qualidade. Por serem mais independentes, esperam menos dos demais. E, em geral, conseguem manter a vida sexual no mesmo nível de freqüência e de satisfação que experimentaram no namoro.
O fato do cônjuge ser outra pessoa e não uma parte de nós faz com que o desejemos mais. Platão já disse, há 25 séculos, que não se pode desejar o que se possui. Talvez por isso o ciúme funcione como estimulante sexual: a ameaça da perda fortalece a idéia de que o parceiro nos pertence.
O erotismo resulta de uma atmosfera impregnada de sensualidade. Devemos deixar claro que o clima erótico não é o romântico. Amor e sexo são coisas diferentes e merecem ser estimuladas separadamente se quisermos obter uma intensidade maior das duas. Para criar a atmosfera romântica, os casais deveriam passear de mãos dadas em belos bosques, andar por ruelas antigas e singelas, jantar à luz de velas e ouvir música clássica. Nesse tipo de programa, surgem a ternura e a vontade de dormir abraçadinhos. Já um ambiente praiano, onde as pessoas se exercitam, tomam sol, banham seus corpos suados no mar e ouvem canções que sugerem danças ritmadas é altamente estimulante para a nossa sexualidade.
O cotidiano da maioria dos casais não é nem romântico nem erótico. Por isso, as pessoas tendem a buscar atividades mais prazerosas fora do casamento. Acredito que nada disso é necessário. A mulher casada não precisa se descuidar, nem o homem tem de engordar. Ele pode, sem prejuízo das finanças, lembrar que a mulher gosta muito de um determinado cantor e chegar em casa com o novo CD dele. Ou preparar o prato predileto dela. Ela pode levar o café na cama para os dois no domingo e por lá ficar!
As situações eróticas devem se alternar com as românticas e, assim, ocupar um espaço respeitável no cotidiano dos casais, roubando tempo das cobranças e brigas. Mas, para isso, é essencial entender que a ternura e o erotismo não se estabelecem apenas porque duas pessoas se amam. O parceiro fixo precisa buscar uma renovação constante, tanto nos detalhes de sua postura e de sua aparência quanto na invenção de cenários e de figurinos interessantes. Podemos construir a vida cotidiana sobre dependências e decepções ou sobre o desejo de agradar e surpreender o amado.
Do ponto de vista sexual, tudo o que é novo provoca impacto imenso. Tudo o que for feito para enriquecer a vida romântica e erótica será sempre bem-vindo. Não creio que seja necessário detalhar mais. Seria subestimar a intuição e o poder criativo dos leitores

domingo, 15 de julho de 2012

Adultério no Velho Testamento

Este artigo foi tirado do nosso livroSex and Scripture: A Biblical Study of Proper Sexual Behavior (Inglês)”.]


A palavra grega usada no Novo Testamento para “adúltero” é moichos (“adultério” é mocheia) e refere-se a alguém que está casado mas tem relações sexuais com alguém que não é o seu cônjuge.
No Antigo Testamento, e no mundo secular grego como no romano, a definição de adultério era diferente. No Antigo Testamento, "adultério" referia-se concretamente a uma mulher casada ou comprometida que tinha relações sexuais com alguém diferente do seu esposo. O conceito grego, romano e hebreu do adultério era substancialmente o mesmo: "A infidelidade do marido não constituía adultério."
James Hastings escreve:
Para sermos mais específicos, na legislação Israelita como também na romana, o termo [adultério] estava circunscrito a sexo ilícito de uma mulher casada ou comprometida com qualquer outro homem que não fosse o seu esposo. Desaprovava-se também outras relações impudicas, mas essas foram descritas com palavras diferentes.
William Smith agrega:
As partes intervenientes neste delito [adultério] eram uma mulher casada e um homem que não era o seu marido. De facto, a poligamia era tolerada, pelo que era quase impossível considerar crime uma ofensa similar cometida por um homem casado com uma mulher que não era sua esposa.
Alguns teólogos dizem que como Deus criou Adão e Eva um para o outro, estava implícito na Lei que o adultério era o mesmo tanto no Novo Testamento como no Antigo Testamento. Embora não haja nenhuma dúvida de que Deus originalmente desenhou o matrimónio para ser uma relação de dois, também não há duvida nenhuma de que a poligamia começou cedo, apenas sete gerações depois de Adão (Gn. 4:19), e foi regulamentada na Lei Mosaica (Êx. 21:10; Lv. 18:18; Dt. 21:15). É bem conhecido que as 12 tribos de Israel existem porque Jacob teve duas esposas e duas concubinas, e teve filhos com todas elas. Muitos "grandes nomes" do Antigo Testamento tiveram múltiplas esposas e concubinas, e fizeram isto sem desobedecer ao mandamento de Deus. Mas este simplesmente não é o caso na era cristã.
Deus não explica por que Ele regulamentou a possibilidade de ter múltiplas esposas no Antigo Testamento. Obviamente não era Seu plano original para o matrimónio, porque Ele estabeleceu que "dois" "se tornarão uma só carne". A necessidade de se relacionar e de “se sentir especial" é fundamental em qualquer relação matrimonial, e isto salienta-se poderosamente no Cântico dos Cânticos, escrito por Salomão. É difícil imaginar que uma mulher possa compartilhar o afecto do "amor da sua vida" (Ct. 3:1-5) com outra mulher. Além disso, a poligamia nunca teve muito bons resultados. Nas escrituras não existem "trios felizmente casados". É bem conhecida a tensão existente entre Raquel e Lia, e em 1 Samuel 1:6, Penina é chamada a "rival" de Ana. O pictograma chinês para "briga" é o símbolo de duas mulheres debaixo do mesmo telhado, e as intrigas e lutas internas nos haréns são lendárias.
Foi sugerido que, ao permitir a poligamia, Deus estava a fazer concessões à cultura, mas esta explicação não é satisfatória. Ele não fez concessões quanto à comida, à adoração, à higiene, aos delitos, à autoridade da liderança ou em outras áreas do comportamento sexual tais como o adultério, o matrimónio entre parentes, a prostituição, a homossexualidade, etc., de tal modo que a ideia de que Ele "cedeu" perante o tema das múltiplas esposas seguramente não está correcto. A melhor explicação que a nosso entender se tem postulado é a de que a poligamia deu à mulher uma maneira de entrar num grupo familiar com o poder e influência necessárias para manter-se e proteger-se a si mesma e às suas crianças.
Na actualidade, o ponto central é o seguinte: o Novo Testamento ordena especificamente que cada homem e cada mulher tenham o seu "próprio" cônjuge e, por tanto, a definição de adultério no Novo Testamento é mais estreita do que a definição no Antigo Testamento já que se incluí toda pessoa casada que tem relações sexuais com alguém diferente do seu cônjuge. O mundo e as suas forças malignas querem atenuar o mal intrínseco que habita no adultério, e assim que chamam-lhe "aventura", "engano" ou "indiscrição", como se não fosse algo de grave. Mas é realmente de grave e Deus sempre ordenou ao seu povo com grande firmeza que não cometesse adultério. Os versículos que o proíbem estão no Antigo Testamento (Êxodo 20:14, etc.), nos evangelhos (Marcos 10:19, etc.) e nas epístolas pastorais (Romano 13:9, etc.).
O adultério é um pecado muito mais sério do que o sexo pré-marital porque há pactos, compromissos, promessas e expectativas envolvidas. Um pacto matrimonial é um assunto muito sério aos olhos de Deus. Não levar em conta os pactos celebrados perante os homens e perante Deus e destruir o desígnio de Deus de "uma só carne" quando "homem e mulher os criou" é um pecado muito grave, pecado que com frequência leva à destruição da família e que no Antigo Testamento foi castigado com a pena de morte (Lv.20: 10,11; Dt. 22:22). Os casados deveriam levar muito seriamente as palavras da Escritura concernentes ao adultério: " O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros. (Hebreus 13:4)."
O adultério era considerado claramente como um pecado, e por isso era o exemplo perfeito e "tangível" do frequentemente menos tangível pecado de idolatria. Por essa razão, no Antigo Testamento, palavras como "adultério", "imoralidade sexual", "prostituta" e "infidelidade", podem ter um significado literal ou um significado espiritual. O adultério ocorria quando uma mulher era infiel a seu marido e violava o pacto matrimonial. Quando Deus desejava comunicar a penosa natureza do pecado de idolatria, descreveu-o como adultério, e a Israel como uma esposa adúltera ou uma prostituta. Também, Israel tinha feito pactos e compromissos com Deus e tinha prometido que obedeceria aos Seus mandamentos (Êxodo 24:7; Deuteronômio 5:27; Josué 24:14-25) e esses pactos foram violados quando Israel adorou a outros deuses.
Existe outra razão pela qual "adultério" era uma boa palavra para descrever a adoração a deuses pagãos: muito da adoração pagã incluía sexo. Isto vê-se no inicio da Bíblia quando Israel estava no Sinai e construiu o bezerro de ouro, um deus egípcio da fertilidade, e então “levantaram-se para se divertirem”, uma referência aos actos sexuais envolvidos na adoração daquele deus pagão (Êxodo 32:6 OL). A conexão entre adultério e fornicação, e a adoração pagã, fornece interessantes duplos significados na Bíblia. Por exemplo, em Jeremias 13:27, Deus disse a Israel que tinha visto "seus adultérios, os seus relinchos, a sua prostituição desavergonhada, sobre as colinas e nos campos", e o contexto torna claro indubitavelmente que está a falar tanto de adultério espiritual como de adultério físico.
Há pessoas (que geralmente estão envolvidas no adultério e tentam justificá-lo) que dizem que o adultério na Bíblia é sempre adultério espiritual, mas essa afirmação torna-se falsa apenas pela leitura de algumas escrituras. Por exemplo, Levítico 20:10 diz: "Se um homem cometer adultério com a mulher de outro homem...", o qual é uma indicação clara de que o adultério era a relação física entre um homem e uma mulher. Existem outros versículos semelhantes. A introdução ao Salmo 51:1 fala do adultério de David e Bate-Seba. Jeremias 29:23 menciona que o povo Judeu cometeu adultério com as mulheres do seu próximo e, claro que, há o bem conhecido registo da mulher que foi surpreendida no mesmo acto de adultério e levada ante Jesus. O adultério é um pecado grave aos olhos de Deus e os cristãos devem ser honestos acerca disto e ter a certeza de que as suas vidas são puras aos olhos de Deus.
(Tradução Daniel De Oliveira)

sábado, 7 de julho de 2012

Qual a Origem da Amizade ?



Flávio Gikovate - Agosto/2000


 
 
Venho ensaiando escrever sobre a amizade há pelo menos vinte anos, sem coragem de dar seguimento a esse antigo projeto. Percebi que se trata da mais bem-sucedida forma de interação entre as pessoas, de uma fonte de prazeres e alegrias enormes e geradora de tensões e elementos negativos mínimos.
A primeira questão – e, talvez, a mais importante – está relacionada à seguinte dúvida: seria a amizade uma versão adulta e sofisticada do amor, ou um fenômeno inteiramente diferente?
Como regra, achamos interessantes aquelas pessoas que desenvolvem maneiras de ser e de racionar sobre todos os assuntos similares às nossas em muitos aspectos. Não só achamos graça como nos sentimos muito próximos delas. Aqui, a sensação de integração não se origina de um processo físico, como acontece no amor – ou mesmo na integração com a pátria ou com o universo. Ela deriva de uma intimidade intelectual, de afinidades na maneira de pensar e de sentir a vida.
Nas amizades, a ponte que permite que duas criaturas individuais e solitárias se sintam integradas surge graças à facilidade com que elas se comunicam. É extraordinário o prazer que sentimos quando temos a impressão de que aquilo que o outro está entendendo corresponde exatamente ao que estamos dizendo. Temos a impressão de não estarmos sós neste mundo. O prazer que experimentamos ao conversar com nossos amigos – definidos assim de modo rigoroso, sem nada a ver com os diversos conhecidos que temos – é enorme; não raramente maior do que o que sentimos ao conversar com nossos parentes e com o nosso objeto de amor que, como disse, corresponde a uma escolha mais relacionada com outros processos.
Como as amizades referem-se a processos essencialmente adultos, não são contaminadas, a não ser de modo muito superficial, pelas penosas emoções possessivas e ciumentas. Podemos ter mais de um amigo íntimo. Gostar de um não significa deixar de gostar do outro. O respeito pelos direitos individuais e pelo modo de ser do amigo é a tônica. A inveja, quando existe, está sob controle, pois, mais do que tudo, queremos que nossos amigos prosperem; não tememos que isso nos afaste deles, como costuma acontecer nas relações amorosas, em que o progresso do amado é sempre uma enorme ameaça à estabilidade da relação.
A amizade é fenômeno essencialmente intelectual. Pode perfeitamente existir entre pessoas que não tenham interesse sexual um pelo outro. Ela é até mesmo mais comum entre pessoas do mesmo sexo, em que as afinidades mentais, talvez, sejam mais comuns. Agora, por puro preconceito, mesmo nos tempos atuais, em que o erotismo tende a se expressar de modo mais livre, não pensamos em intimidades sexuais entre amigos. Da mesma forma, é fácil imaginar que as relações que se iniciam como amizade podem evoluir para um namoro ou mesmo para um casamento. A idéia de que o amor é coisa muito mais rica do que a amizade é, a meu ver, antiga. Afinidades intelectuais e semelhanças de gostos e interesses terão de ser parte essencial de todos os relacionamentos mais íntimos.
 

sábado, 30 de junho de 2012

Espíritas têm os melhores indicadores de educação e renda, revela Censo

Censo de 2010 deixa a teologia da prosperidade em má situação.Pois revela que os  mais prósperos entre os religiosos são os espíritas...E não as denominações que pregam a prosperidade!


Dados do Censo Demográfico 2010, divulgados nesta sexta-feira (29), mostram que a população que se autodeclara espírita tem os melhores indicadores de educação e renda em relação às demais representações religiosas no paí.
 
segundo dados do Censo de 2010, os espíritas têm a maior proporção de pessoas com nível superior (31,5%) e os menores índices de brasileiros sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15%). Apenas 1,4% das pessoas que se declararam adeptas desse grupo religioso não são alfabetizadas
Os espíritas têm a maior proporção de pessoas com nível superior (31,5%) e os menores índices de brasileiros sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15%). Apenas 1,4% das pessoas que se declararam adeptas desse grupo religioso não são alfabetizadas.
Quanto às classes de rendimento acima de cinco salários mínimos, os espíritas também se destacam com incidência de 19,7% --a pesquisa considera a distribuição das pessoas de dez anos ou mais por rendimento mensal domiciliar per capita. Os católicos, por sua vez, estão concentrados na faixa até um salário mínimo: 55,8%.
Os evangélicos pentecostais são o grupo com a maior proporção de pessoas nessa classe de rendimento de até um salário mínimo (63,7%), seguidos dos sem religião (59,2%).
Os católicos (6,8%), os sem religião (6,7%) e evangélicos pentecostais (6,2%) também se destacam negativamente com as maiores proporções de pessoas de 15 anos ou mais de idade sem instrução. Em relação ao ensino fundamental incompleto são também esses três grupos de religião que apresentam as maiores proporções (39,8%, 39,2% e 42,3%, respectivamente).
Entre a população católica é proporcionalmente elevada a participação dos idosos, entre os quais a proporção de analfabetos é maior. De acordo com o Censo 2010, os católicos e os sem religião formam os grupos que tiveram os maiores percentuais de pessoas de 15 anos ou mais de idade não alfabetizadas (10,6% e 9,4%, respectivamente).

Outros dados

Os dados do Censo Demográfico 2010 mostram também que a população evangélica no Brasil passou de 15,4% da população brasileira para 22,2%, o que dá um crescimento de 6,8 pontos percentuais nos últimos dez anos, e atualmente representa 42,3 milhões de pessoas --sendo esta a segunda religião com o maior número de adeptos no país.
A pesquisa indica ainda aumento da população espírita, que hoje é de 3,8 milhões, e das pessoas que se declararam sem religião (aproximadamente 15 milhões).
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o aumento no número de evangélicos é proporcional ao crescente declínio da religião católica, que perdeu 9,4% de fiéis em relação ao Censo de 1991.
Ainda assim, o catolicismo é predominante no país: são mais de 123 milhões de pessoas (64,6% da população brasileira; até 2000 eram 73,6%). O Brasil é considerado o maior país do mundo em números de católicos nominais.
Até o início da década de 90, os evangélicos representavam apenas 9% do contingente populacional, dos quais a maioria de origem pentecostal. Com a expansão das igrejas evangélicas pelo país e a veiculação de programas religiosos nas emissoras de televisão, tal índice subiu 44,16%.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Medo de Ser Feliz



Algumas pessoas temem que um projeto seu, mesmo que embasado em sua competência, “não dê certo”.Mas, com freqüência, quando indagadas “e se der certo?”, notamos embaraço e surpresa. Parecem entrar na situação “para não dar certo”.Tudo foi planejado corretamente, com detalhes, mas, na hora H...algo ocorreu e tudo ruiu. E, muitas vezes, por um ato que ela avalia como “involuntário” ou casual.

Estas pessoas parecem ter sido “programadas”, modeladas pela educação para “darem errado”. Não se sentem merecedoras da felicidade.Sua baixa auto-estima faz com que, embora conscientemente aspirem a felicidade, inconscientemente sabotem seus mais sinceros ideais. E, quanto mais baixa a auto-estima, menor será a capacidade de se sentirem merecedoras do sucesso. Quando entabolam um projeto não se preparam para vencer, mas para serem vitimas perdedoras. Quando há um conflito entre um conteúdo inconsciente e uma vontade consciente...vence o lado inconsciente.

Ser feliz parece proibido para as pessoas de baixa auto-estima. A felicidade parece incomodar, gerar ansiedade e desconforto. Parece evocar ecos do passado que dizem “não mereço ser feliz”. Muitas vezes ocorrem culpa e sensação de inferioridade. Diante da eminência do sucesso é como se a pessoa se sentisse um impostor, passível de ser descoberto a qualquer momento. A falta de coragem de assumir a felicidade faz com que, ao invés de questionar essas vozes destrutivas num diálogo interno, acreditem piamente nela e a obedeçam.
É o caso da jovem de 26 anos, promovida em seu trabalho, que, apavorada por avaliar mal sua capacidade de fazer frente às novas exigências, passa a botar os pés pelas mãos e comete falhas aparentemente inexplicáveis e que a comprometem na nova empreitada. Ou do ator que, após muita luta e preparo, tem sua oportunidade numa grande emissora de TV. Bloqueia texto, se atrasa, erra ou esquece tópicos importantes. Tudo ia bem, mas...De repente...O medo de ser feliz ocorre na vida afetiva, profissional, social, ou, mais sucintamente, na vida da pessoa como um todo.

O medo da felicidade não é conseqüência da incompetência, mas da má avaliação da própria competência. Como se, apesar de desejarem seus objetivos, tivessem uma sensação íntima de incapacidade. A voz interna do imerecimento parece dizer “você é um engodo!”!

Na base está a baixa auto-estima. A sensação de que seu destino não é ser feliz. Um sentimento de culpa baseado em crenças errôneas acerca de si mesmo, do ambiente e do futuro.Pessoas com baixa auto-estima se condenam com a autopunição e provocam o insucesso e sua ocorrência reforça as crenças subjacentes de incapacidade. A profecia inconsciente se realiza. Diferentemente, pessoas com auto-estima adequada perseveram, tomando o insucesso como oportunidade de aprendizado, e aumentam as chances de vitória.

Se tais crenças subjacentes não forem modificadas as profecias continuarão ocorrendo.Sem um trabalho psicoterápico que modifique essas crenças o futuro continuará sendo função do passado. Baseados na sensação de incapacidade anterior, novos fracassos ocorrem e reforçam esse sentimento e o medo de dar certo permanece. São as pessoas reconhecidamente competentes que na hora H se auto-sabotam. Pessoas que não tiveram coragem de assumir o direito à felicidade e se envolvem num desastroso destino criado por eles mesmos. “Ir bem”, “ser feliz”, “conseguir”, conflita com as avaliações mais profundas a seu próprio respeito. Se tais avaliações não forem revistas...


Texto do site: Tomasso , Psicoterapia da boa forma.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Por que as mulheres compram sapatos?



Por Ana Manssour

Site Mulheres no poder

O sapato, diferentemente das roupas, é quase um fetiche. A compra raramente é funcional – é, antes, passional e dificilmente revela alguma frustração pessoal. Os sentimentos envolvidos na compra do sapato e da roupa são os mesmos: o que está em pauta é o desejo de se sentir mais bonita e mais reverenciada.
O discurso dominante é de que beleza deve andar junto com conforto. De um lado, vale sofrer um pouquinho para estar mais bonita, sobretudo em ocasiões especiais – sempre levando em conta se permanecerão em pé ou sentadas na ocasião, fazendo, assim, uma análise de custo-benefício. De outro, trabalhar o dia todo com o pé doendo, por exemplo, não dá. Em situações cotidianas, o conforto se torna muito mais prioritário para a saúde dos pés e para a qualidade do humor.
O sapato é um componente do visual tão importante quanto a roupa, sobretudo os de salto – eles têm uma dimensão simbólica de poder, elegância e sensualidade. As entrevistadas afirmam estar sempre de olho nos sapatos das outras mulheres e julgam-no uma arma de sedução

sábado, 9 de junho de 2012

As desilusões com o primeiro casamento têm ajudado as pessoas a tomar as decisões corretas?




Gikovate - No início da epidemia de divórcios brasileira, na década de 70, as pessoas se separavam e atribuíam o desastre da união a problemas genéricos. Alguns diziam que o amor acabou. Outros, o parceiro era muito chato. Não se davam conta de que as questões eram mais complexas. Então, acabavam se unindo à outras pessoas muito parecidas com as que tinham acabado de descartar. Hoje, os indivíduos estão mais críticos. Aceitam ficar mais tempo sozinhos e fazem autocríticas mais consistentes. Por causa disso, conseguem evoluir emocionalmente e percebem que terão que mudar radicalmente os critérios de escolha do parceiro. Se antes queriam alguém diferente, hoje a tendência é buscarem uma pessoa com afinidades

domingo, 3 de junho de 2012

Quais são os maiores erros cometidos pelas pessoas ao buscarem a felicidade?




Flávio Gikovate - Buscar um tipo de felicidade que chamo de aristocrática: achar que dinheiro em excesso, beleza, magreza e fama são os ingredientes da felicidade. É um erro porque essas propriedades só poderão fazer parte do repertório de um número mínimo de pessoas, condenando à infelicidade mais de 99% da população. Prefiro pensar na felicidade relacionada com um bom relacionamento amoroso, com o desfrute dos prazeres intelectuais de todo o tipo, com a evolução moral, com o deleite dos prazeres sexuais e corpóreos de caráter não competitivo (dança, corridas). É claro que o dinheiro tem sua importância, mas serve principalmente para nos ajudar a sair de situações dolorosas, como no caso de doenças, de fome ou mesmo na falta de uma boa casa

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Reflexões sobre a vaidade humana



:: Flávio Gikovate ::

Eu não pretendia escrever sobre este aspecto essencial do instinto sexual neste momento, mas alguns comentários a respeito do meu último texto (Alguns modos de ser das mulheres) me fizeram pensar sobre como a maior parte das pessoas continua a se deixar escravizar por este curioso ingrediente exibicionista. Exercemos o exibicionismo por todas as formas, desde a mais inofensiva, que é o de caráter físico, até a mais perigosa, que corresponde ao exibicionismo intelectual. O exibicionismo intelectual é o mais grave, porque nossa razão deveria estar a serviço de nos ajudar a ver a realidade como ela é e também a nos posicionar de forma adequada diante dos fatos.

Nossa vaidade nos leva a desenvolver certa aversão com relação aos acontecimentos, especialmente aqueles que não combinam com os que gostaríamos que fossem efetivamente. Passamos a brigar contra a realidade e a substituí-la por nossas idéias. Num determinado momento, passamos a acreditar que nossas idéias correspondem aos fatos.

Não importa muito como achamos que o mundo e as pessoas deveriam ser. Temos que nos ater ao que é. Não importa acharmos que o amor é que deve nortear as relações entre as pessoas e que a sexualidade deveria estar acoplada ao encontro de parceiros compatíveis e legais. Isso é o que alguns pretendem, mas não é o que todos querem e nem mesmo o que se observa na prática da vida.

O fato real é que muitas pessoas usam a palavra amor para encobrir seus interesses pessoais. A começar pelos mais egoístas, aqueles que não amam e que querem mesmo é serem amados (é sempre bom lembrar que eles correspondem a 50% ou mais da população). Não dizem que não amam; dizem que amam ao seu modo. Se for verdade que existem modos diferentes de amar, pode ser que tenham razão. Muitas vezes, quando são abandonados, dizem que estão sofrendo muito, que estão muito arrependidos, que estão sentindo muita falta e que nunca pensavam que fossem tão ligados sentimentalmente. Será isso verdade? Ou estão se colocando desta forma com o intuito de fazer forte chantagem sentimental? Estão sentindo falta do parceiro ou estão inconformados de terem perdido a boquinha (como ouvi certa vez de um paciente)?

E as moças que só têm relações sexuais em um contexto de compromisso sólido, são elas as mais amorosas? São as mais honestas ou são as que verdadeiramente sabem usar sua sensualidade para prender o homem? Não será verdade que a mulher mais honesta é aquela que não joga com seu poder sensual? Sendo assim, aquela que tem no sexo uma prática lúdica, que entende o sexo como uma simples troca de cosquinhas similar ao que acontece com as crianças e que tem relações com inúmeros amigos e mesmo parceiros ocasionais sem nenhuma pretensão de prender o homem por esta via, não será ela a mais honesta e pura? É pura a que se mantém virgem até o casamento ou a que não se incomoda de ter relações sexuais sem visar outro objetivo que não o dar e receber o prazer físico imediato?

Muitas questões e muito poucas respostas, a menos que se pretenda dar respostas prontas, aquelas que correspondem ao politicamente correto de hoje ou do passado. Os fatos são mais complicados do que as idéias. A palavra amor encobre muitas armadilhas e a mulher sexualmente livre pode ser a mais desprendida e a que joga menos. Mas nem sempre... A vida real é mais complexa do que isso e não pode ser decodificada de forma simples.

Da mesma forma, os homens: todos invejam o paquerador, aquele que consegue conquistar as mulheres com facilidade graças à boa aparência, ao carro de luxo ou à boa capacidade de iludir e contar mentiras românticas apenas com o intuito de levar para a cama uma moça menos esperta do que ele. É uma pena que seja assim, porque invejam o que há de pior, o homem que verdadeiramente se aproxima do mamífero incivilizado e que busca a intimidade com a fêmea a qualquer custo. Acontece que, depois que ejaculam, passam a ter o problema terrível de ver como é que farão para se livrarem daquela mulher que só interessava para aquele fim erótico e cuja conversa é, para eles, profundamente tediosa. Não vale a pena.

Os conquistadores assim bem sucedidos se exibem para os homens mais tímidos e recatados. Exercem sua vaidade se mostrando felizes e bem sucedidos. Levam uma vida chata e repetitiva, sempre vivenciando a primeira relação com uma mulher diferente; a verdade é que a primeira relação entre um homem e uma mulher é, como regra, a pior! Estão ambos um pouco inibidos (quando não bêbados) e exaustos. Aqueles que têm uma parceira fixa e que sempre têm relações com ela morrem de inveja dos que se exibem como garanhões e que só estão levando o que há de pior nas relações sexuais. Tudo vaidade...

A vaidade cega subtrai o bom senso, nos afasta da realidade e do que é possível para nós. A vaidade nos afasta da reflexão útil e nos leva a querer ganhar discussões. Não é este o meu objetivo, como de resto nunca foi este o meu modo de me posicionar perante os problemas da psicologia. Acho que nós deveríamos nos voltar para os fatos e tentar interpretá-los de todas as formas possíveis. Mas os fatos e não aquilo que gostaríamos que eles fossem.

sábado, 19 de maio de 2012

Sexo e política por Flávio Gikovate

 

Ao longo dos primeiros anos da chamada revolução sexual (1960 em diante) havia uma idéia clara de que a emancipação da sexualidade implicaria numa diminuição da competitividade entre as pessoas que, por isso mesmo, se tornariam mais doces e amistosas. Isto determinaria um clima social de cumplicidade e companheirismo ao invés das tensões próprias do capitalismo e da sociedade de consumo que estava nascendo. O resultado é mais que conhecido: o livre exercício da sexualidade, especialmente do exibicionismo feminino, provocou efeito exatamente oposto. Ou seja, os homens ficaram extremamente sensibilizados e estimulados pelo fato das moças se mostrarem mais atraentes e disponíveis para o sexo e partiram para uma disputa brutal para conseguirem o sucesso necessário para serem os eleitos das mais belas.
A busca por sucesso, fama e fortuna se agravou e o capitalismo competitivo e consumista se estabeleceu de uma forma plena. As moças passaram a se preocupar mais ainda com a aparência física – mesmo aquelas também empenhadas em desenvolver atividade profissional e independência econômica – e os homens, depois da luta por sucesso material, também têm se empenhado em aparecer como belos aos olhos das mulheres. O mundo se tornou mais do que nunca aristocrático, onde beleza e riqueza (prendas raras) são os ingredientes mais valiosos.
Na verdade, a única novidade mesmo é a preocupação masculina com a aparência física. Sim, porque a história da humanidade tem sido esta. Os homens buscam o destaque e o poder para poderem se apresentar e serem recebidos sexualmente pelas mulheres mais belas e atraentes, que são as mais cobiçadas por quase todos. As mulheres menos belas se sentem tristes, assim como os homens menos ricos. Estes fazem parte da imensa maioria da população e parece gastarem a vida sonhando com o dia – ou com a hipótese quase mágica – em que poderão fazer parte daquela elite que teria tudo o que se pode pretender desta vida. A mim me entristece ver de forma assim clara e um tanto banal as razões que levaram estas elites a criarem organizações sociais brutalmente desniveladas, onde a desigualdade impera. A tristeza é maior ainda quando percebo que a maioria da população, aquela composta pelos excluídos, apóia e compactua com estes pontos de vista. Ou seja, acham legal a injustiça e a desigualdade social derivarem de prendas inatas, especialmente a beleza física feminina. Acham legal que a beleza física valha mais que as virtudes de caráter. Enquanto pensarem assim é claro que o mundo continuará a caminhar na mesma direção que tem caminhado e tudo leva a crer que irá nos levar, em poucos anos, para o abismo.
Uma conclusão importante que podemos extrair destas últimas décadas é a seguinte: os autores que relacionaram a sexualidade com a política (Marcuse, Reich, Foucault entre outros) tinham razão. A forma como vivemos nossa sexualidade em uma dada sociedade não é, em absoluto, inofensiva. Não há ingenuidade em relação ao tema. Uma prática sexual que estimule o jogo de sedução e conquista, que valorize beleza e riqueza (propriedades aristocráticas) estará gerando uma população de infelizes e frustrados. Eles poderão continuar sonhando com o dia em que serão incluídos no clube dos privilegiados, mas poderão agir de outra forma. Imaginem se as mulheres, de repente, passarem a valorizar mais os moços bons, gentis, delicados e atenciosos com elas, parceiros e cúmplices (com gosto em ouvir sobre suas vidas ao invés de só gostarem de falar de si e de suas glórias). Isso teria um potencial revolucionário extraordinário, pois os homens, como sabemos, querem mesmo é fazer sucesso com as mulheres. Se elas passarem a valorizar propriedades mais dignas no lugar dos corpos sarados e muito dinheiro no bolso (independente da sua origem) estariam promovendo uma revolução moral, social, econômica e política!
Muitos pensadores contemporâneos vêm desenvolvendo esta idéia. Ou seja, pensam muito seriamente no fato de que se algo de muito relevante e revolucionário pode vir a acontecer nos próximos tempos deveremos sua introdução às mulheres. Elas detêm um poder social, econômico e político crescente. Elas são a maioria na maior parte das universidades. Elas poderão repetir os procedimentos masculinos ou contribuir de forma radical para que possamos voltar a sonhar com sociedades mais justas. O fato delas estarem desenvolvendo condições de auto-suficiência econômica criará condições para que as escolhas sentimentais possam ser menos voltadas para os tradicionais interesses materiais e mais relacionadas com a presença de um parceiro carinhoso e respeitoso. Se isto acontecer, estaremos no início de um novo mundo.
Acho também que para isso poder acontecer temos que superar o mais depressa possível esta fase em que a sexualidade desvinculada de relacionamentos representativos está fazendo a cabeça de um grande número de moças e rapazes, como se estivessem se lambuzando no melado (nunca houve tamanha facilidade nesta área como agora). Quanto a isso não me preocupo muito porque penso mesmo que se trata de uma fase e que os próprios rapazes cada vez mais estarão interessados mesmo é em relacionamentos mais estáveis, duradouros e nos quais se poderão construir bases para uma intimidade mais profunda e que tanto nos gratifica e aconchega.

sábado, 12 de maio de 2012

Por que os casamentos acabam não dando certo?



Flávio Gikovate -
                        Quase todos os casamentos hoje são assim: um é mais extrovertido, estourado, de gênio forte. É vaidoso e precisa sempre de elogios. O outro é mais discreto, mais manso, mais tolerante. Faz tudo para agradar o primeiro. Todo mundo conhece pelo menos meia-dúzia de casais assim, entre um egoísta e um generoso. O primeiro reclama muito e, assim, recebe muito mais do que dá. O segundo tem baixa auto-estima e está sempre disposto a servir o outro. Muitos homens egoístas fazem questão que a mulher generosa esteja do lado dele enquanto ele assiste na televisão os seus programas preferidos. Mulheres egoístas não aceitam que seus esposos joguem futebol. Consideram isso uma traição. De um jeito ou de outro, o generoso sempre precisa fazer concessões para agradar o egoísta, ou não brigar com ele. Em nome do amor, deixam sua individualidade em segundo plano. E a felicidade vai junto. O casamento, então, começa a desmoronar. Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre amor e individualidade, opte pelo segundo.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Por que o mês de fevereiro tem 28 dias e os outros oscilam entre 30 e 31?

 

Nos últimos tempos da sua monarquia, por volta do século VI a.C., os romanos adotaram um calendário baseado nas mudanças de fase da Lua, com 355 dias distribuídos em 12 meses. O ano começava em março e terminava em janeiro, sendo que os meses tinham 29 ou 30 dias. Fevereiro, o décimo-primeiro mês, era considerado de mau agouro e ficou com apenas 28 dias. Mas, durante o Império, em 46 a.C., sob o governo de Júlio César, houve uma mudança significativa: o calendário passou a se basear no ciclo solar. Os meses, então, mudaram todos para 30 ou 31 dias, somando 365 no período de um ano. Nesse mesmo período, foi instituído o ano bissexto - mudança inspirada no calendário dos egípcios -, com um dia adicional a cada quatro anos. Em 44 a.C., no segundo ano de vigência do calendário juliano, o Senado decidiu homenagear o imperador e propôs que o mês Quintilis, com 31 dias, passasse a se chamar Julius (julho).
Três décadas depois, em 8 a.C., o nome do oitavo mês, Sextilis, foi mudado para Augustus (agosto), em honra ao então imperador César Augusto. Como um César não podia ter mais dias que o outro, agosto - que tinha originalmente 30 dias - ganhou mais um, retirado de fevereiro, que ficou com 28. Para manter o critério de alternância do calendário instituído por Júlio César, setembro passou para 30 dias e assim sucessivamente. Bem mais tarde, já no século XVI, o papa Gregório XIII inaugurou um novo calendário, corrigindo algumas distorções do sistema romano. Mas o calendário gregoriano, adotado até hoje pelo mundo cristão ocidental, não mexeu no número de dias de fevereiro.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

As pessoas portadoras de desejos fortes levam uma vida mais gratificante e são mais felizes?

Vivemos numa cultura que nos estimula a sentir um grande número de desejos e nos ensina que desejar, e de forma intensa, é uma coisa boa. Será isso verdade? As pessoas portadoras de desejos fortes levam uma vida mais gratificante e são mais felizes?
Resposta: Não deixa de ser curioso que tenhamos acreditado nisso. Afinal de contas, estar desejando corresponde a um estado de incompletude, de insatisfação pelo fato de que algo nos falta. Talvez a única exceção seja o desejo sexual, onde a inquietação que ele provoca pode ser sentido como agradável, como algo que provoca a sensação de excitação, um desequilíbrio que é temporariamente agradável. Agora, todos os outros desejos, tanto os de natureza física - fome, sede, frio, etc - como os relacionados com anseios criados pela cultura em que vivemos - desejo de possuir algum bem material, de usufruir de algum tipo de privilégio, de ser famoso, etc - só podem gerar insatisfação, frustração e tristeza. Somos ensinados a desejar porque aprendemos que, ao nos sentirmos frustrados, ganhamos uma força e uma energia extra no sentido de perseguirmos aquilo que queremos muito ter ou ser. Isso pode ativar nossa garra e competitividade, mas gera uma insatisfação muito prolongada, muito maior do que o prazer que experimentaremos quando formos capazes de satisfazer nossa vontade.
O mais grave é que a sociedade está sempre criando novos objetos de desejo, de modo que quando pensamos que temos tudo, algo novo parece essencial à nossa felicidade. Penso que vivem melhor aquelas pessoas que sentem menos desejo. Penso que o próprio desejo sexual não deveria ser estimulado ao máximo e a satisfação desse desejo não deveria ter se transformado em mais um motivo de orgulho e de competição - sendo vencedor aquele que consegue efetivar mais vezes o contato físico capaz de resolver o desejo. Penso mesmo que muito melhor do que ter muitos desejos, e conseguir realizá-los graças a esforços enormes, é não desejar tanto, é se satisfazer com o parceiro sexual que se tem - desde que seja bom, é claro - e com os bens materiais que conseguimos obter sem que tenhamos que nos sacrificar tanto.

Flávio Gikovate.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Zona Erógenas


Zonas erógenas são determinadas partes do corpo onde o toque pode causar excitação sexual. Muitos animais utilizam as zonas erógenas de seus parceiros como parte de complexos rituais de acasalamento, em atos que podem se assemelhar a danças ou lutas. As zonas erógenas estão presentes em muitas espécies, e podem ser interpretadas como uma estratégia selecionada por favorecer o ato sexual e facilitar a reprodução sexuada. Também podem atuar na seleção de indivíduos mais capazes de excitar seu parceiro, eliminando os menos aptos a esta função.
No ser humano, as zonas erógenas são determinados pontos ou trechos sensíveis da pele que, ao toque, desencadeiam uma reação de excitação. A presença destas zonas (ou ao menos a intensidade da sensação causada) pode variar de indivíduo para indivíduo, e decididamente de situação para situação, embora padrões sejam delimitados de acordo com as zonas apontadas pela maioria das pessoas. Pescoço, nuca, lóbulo da orelha, lábios e língua, mamilos, nádegas, coxas e dedos, para além dos próprios órgãos sexuais são comumente apontados por homens e mulheres como zonas erógenas.
Fonte: Wilkipédia

sábado, 31 de março de 2012

AUTO-ESTIMA NÃO É VAIDADE

 

 

Costumamos usar uma série de palavras com o intuito de descrever certas sensações de bem-estar e de prazer que buscamos insistentemente. Falamos em auto-estima, orgulho, amor-próprio, honra e vaidade sem nos darmos conta de que nem sempre correspondem ao mesmo processo íntimo.
A auto-estima corresponde a uma sensação íntima de bem-estar relacionada com termos sido capazes de executar alguma tarefa à qual nos propusemos. Por exemplo, se decidirmos que iremos acordar todo dia às 6h para fazer uma hora de ginástica e, de fato, assim procedermos, o resultado será uma enorme satisfação interior. O mesmo vale para quem se propõe a estudar alguma coisa, perder peso, etc. O assunto é irrelevante. O que conta é a pessoa determinar para si uma tarefa e conseguir realiza-la.

Auto-estima tem a ver consigo mesmo. É estar feliz com o próprio desempenho.

A vaidade é totalmente diferente. Depende de observadores externos, pessoas que nos aplaudam e nos admirem. A gratificação da vaidade depende de sermos capazes de nos destacar.

A partir da adolescência, esse ingrediente da nossa sexualidade se tona muito importante. Se, durante a infância, queremos ser iguais aos nossos amiguinhos, a partir da puberdade, desejamos ser especiais e únicos para atrair os olhares que excitam.

Um rapaz, por exemplo, poderá ganhar um carro muito bonito e menos comum. Isso despertará olhares de admiração por parte das moças, além da inveja dos rapazes – o que sempre tem a ver com admiração. A vaidade do rapaz poderá se satisfazer muito com esses olhares e ele irá se sentir especial e importante dirigindo aquele carro. A vaidade estará gratificada e a auto-estima rebaixada, uma vez que intimamente ele sabe que os méritos não podem ser creditados a si mesmo e sim ao carro ou ao pai, que com seu esforço o comprou.

É evidente que existem condições nas quais a auto-estima e a vaidade caminham na mesma direção. Se eu escrevo este artigo e fico satisfeito com ele, minha auto-estima cresce. Ao ser publicado, se os leitores o aplaudirem, isso fará muito bem à minha vaidade. Nesse caso, o reconhecimento externo aumenta ainda mais a minha auto-estima. Porém, se não gostar do que escrevi, não haverá aplauso no mundo que irá me fazer bem de verdade.

A vaidade faz parte do nosso arsenal instintivo, de modo que jamais irá desaparecer de nossa psicologia. Não tenho nada contra este tipo de prazer, desde que as pessoas não se iludam e lhe atribuam uma importância indevida. O que interessa mesmo é a auto-estima, que depende de uma avaliação interna, na qual nós mesmos nos sentimos satisfeitos com nosso comportamento.

Vaidade depende apenas do mundo das aparências, ao passo que a auto-estima depende da nossa essência. E aqui não existe a possibilidade de engano, pois podemos iludir os outros, mas não a nós mesmos.

 

Dr. Flávio Gikovate é médico psiquiatra, diretor do Instituto de Psicoterapia de São Paulo, autor de diversos livros, entre eles, Homem, o sexo frágil? Sexo e Amor para Jovens e Uma nova visão do Amor.